Campanha de Vacinação Contra a Gripe 2018

Por Jaqueline Elias

Começa no dia 23 de abril  e vai até o dia 01 de junho  a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe para o ano de 2018. A campanha é voltada, inicialmente, para os grupos de risco definidos pelo Ministério da Saúde. As pessoas fora destes grupos de risco podem procurar a vacina em clínicas particulares.

Com o início da campanha, vemos rodar pelas redes muitas dúvidas em relação a escolha dos grupos de risco e também muito desdém em relação a imunização para a gripe. Hoje a gente vai explicar como e por que são escolhidos os grupos de risco e ainda mais importante, como uma confusão muito comum entre o que é a gripe realmente (muitos confundem resfriado com gripe e são coisas diferentes, gente!) dificulta as autoridades de saúde e epidemiológicas atingirem a meta nos grupos de risco.

Primeiramente, o que é a gripe?

A gripe é uma doença respiratória contagiosa causada pelos vírus Influenza. A gripe pode causar desde sintomas leves, como dores no corpo e febre baixa até sintomas severos que, em certos casos, podem levar a óbito. A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que a cada ano, a gripe mate mais de 500 mil pessoas em todo mundo! Esse é um número superior a toda a população da cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina!

A vacina contra a gripe oferece proteção principalmente contra casos graves da doença, com taxas de eficácia moderadas. Mesmo com o fato de ela não proteger em 100% contra os vírus circulantes, sua eficácia é suficiente para evitar complicações graves da doença em boa parte dos casos.

Qual a diferença entre a gripe e o resfriado?

É bem importante frisar que gripe e resfriado são duas coisas diferentes. Nós temos a cultura de pensar que um nariz escorrendo e febre baixa que se auto-limita a alguns dias são gripe e as pessoas, portanto, tendem a minimizar a doença, que pode ser fatal. Pior ainda é que isso acaba impactando negativamente a necessidade da vacinação com um pretexto falso: nariz escorrendo e febre baixa geralmente não são causados gripe!

Mas como diferenciar entre um e outro?

Os sintomas da gripe são um pouco diferentes do resfriado comum, assim como a duração dos mesmos: enquanto um resfriado se resolve em alguns dias, a gripe pode levar quase 2 semanas para se resolver, isso nos casos leves. Nos casos graves de gripe é necessária a internação hospitalar. Em outro post vou falar mais sobre as complicações que a gripe pode causar, visto que são muitas. Por hora, vale lembrar os principais sintomas que diferenciam a gripe do resfriado.


Fonte: Ministério da Saúde Minas Gerais

A confusão entre os dois quadros faz com que muitas pessoas subestimem a gravidade de um quadro gripal e acabem reforçando o mito de que gripe é algo “corriqueiro”, levando essas pessoas a não se vacinarem e aumentarem o risco de contágio com o vírus. Vale lembrar que a gripe se manifesta cerca de 24 a 48 horas após o contato com uma pessoa doente. Um adulto pode ser transmissor da doença desde um dia antes dos sintomas se apresentarem até uma semama após essa manifestação e pessoas imunossuprimidas e crianças tendem a ter esse período de contágio extendido.

Sobre a necessidade de se vacinar todos os anos:

Uma das dúvidas muito comuns sobre a vacina da gripe é a necessidade da imunização anual – fato que faz muitas pessoas duvidarem de sua eficácia e/ou importância e questionamentos em relação a fabricação das vacinas de gripe.

Os vírus Influenza, responsáveis pela gripe, são conhecidos por sua capacidade mutagênica (capacidade de se alterar genéticamente) e fácil dispersão e alta taxa de contágio, fazendo com que cada ano os tipos de gripe que causem maiores infecções possam ser diferentes. Geralmente são cepas de Influenza A e Influenza B. Os tipos A e B sofrem frequentes mutações e são responsáveis pelas epidemias sazonais e também por doenças respiratórias com duração de quarto a seis semanas e que, frequentemente, são associadas com o aumento de taxas de hospitalização e morte por pneumonia (uma complicação grave da doença). Já a explicação para a escolha das vacina também é muito simples.

A OMS tem um sistema de vigilância específico para a gripe, que começou em 1973, chamado Rede Global de Monitoramento da Influenza. Esse sistema é responsável pelo monitoramento dos casos de infecção de gripe e de quais subtipos de Influenza cuja circulação se mostre prevalentes naquele ano/região. Com estes dados, a OMS lança a recomendação para as farmacêuticas sobre quais subtipos de vírus (geralmente três ou quarto) as vacinas devem proteger naquele ano. No caso do Brasil, este ano, a vacina é trivalente, ou seja, confere proteção contra 3 tipos de influenza – Influenza A/H1N1, Influenza A/H3n2 e Influenza B/Phuket/3073/2013 (rede pública). Na rede privada estará disponível a vacina quadrivalente, que além das cepas citadas acima, protege também contra a Influenza B//Brisbane/60/2008.

Sobre os grupos de risco:

Muita gente se pergunta: mas por que o SUS dá prioridade para vacinar certa parte da população e não para a população em geral? O Ministério da Saúde dá prioridade de vacinação a pessoas que possuem uma ou mais características que as coloquem em maior vulnerabilidade, não apenas de adquirir a doença, mas de sofrer complicações graves da mesma – incluindo o óbito – seja  ela por fatores de saúde ou fatores ambientais (que é o caso dos profissionais de saúde, professores, agentes carcerários e detentos). Essa política de saúde pública visa planejar que os recursos do SUS com a vacina e sua distribuição sejam utilizados da forma mais eficiente possível. Nestes ano, os grupos de risco incluem:

  • Bebês e crianças na faixa dos 6 meses a 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 20 dias);
  • Gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto);
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais;
  • Trabalhadores da saúde;
  • Professores da rede pública ou privada de ensino;
  • Adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos de idade em medidas sócio-educativas;
  • Funcionários do sistema prisional;
  • Detentos cumprindo pena em regime fechado.

Esta população soma um total de 60 milhões de brasileiros e a meta do SUS é vacinar 90% dessa população.

Responsabilidade social da vacinação:

Se vacinar é uma responsabilidade social. Não é SÓ sobre você; é sobre garantir que, além de você, aqueles indivíduos que não podem se imunizar, por um motivo ou outro, tenham a chance de adquirir a doença diminuídas o máximo possível. Entre aqueles que não podem de vacinar, estão incluídos: bebês abaixo da idade recomendada para vacinação; pessoas imunossupromidas e imunodeprimidas; pacientes oncológicos; indivíduos alérgicos a um ou mais componentes da vacina; indivíduos com uma mutação genética rara que não conseguem desenvolver imunidade a doença – seja de maneira natural (não falando de gripe) ou pela imunização. Para todos estes, a doença tem uma chance aumentada de ser fatal.

Portanto, vacinem-se! A vacina da gripe salva vidas!

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