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[COVID-19] Mães e pais são mais que capazes de lidar com febres.

Atualizado: Mai 23

A quarentena pela pandemia da covid-19 evidenciou uma queda de quase 50% em atendimentos de pronto-socorro. E por quê?

PORQUE PAIS E MÃES ESTÃO CONSEGUINDO LIDAR COM FEBRES E OUTROS SINTOMAS INERENTES ÀS CRIANÇAS.

Dá uma lida neste trecho do Livro da Maternagem, tirado do capítulo "A criança normal, essa desconhecida..."

O acesso a um ou mais pediatras constitui um diferencial na escala de classes: as mães mais informadas são as que acionam com mais facilidade o ‘seu’ ou a ‘sua’ pediatra pelo celular, como forma de reforçar sua imagem de mãe cuidadosa. As demais serão atendidas por atacado nas UBS ou nos pronto-atendimentos. Cerca de 90% da clientela nas UBS ou consultórios é feminina, para si ou para os seus. Ela parece precisar de um interlocutor que lhe faça a figura paterna ou materna. Esses encontros permitem-lhe ‘regredir’, mostrar-se frágil e/ou carente da ‘regressão’ que não obteve junto a sua mãe nem junto ao companheiro. Mulher não para, mulher não descansa. Indo à consulta, ela fala de si, pede receita de papinha (que ela sabe fazer tão bem!), faz uma pausa na canseira, mesmo quando tem que ir para a fila. Sua queixa mais frequente é “meu filho/filha não come!”; o ato de alimentar é seu selo de autenticidade, a garantia íntima de que é uma ‘boa mãe’. Mesmo que afome seja sua, e a criança que ela leva para ‘reparar’ seja sua própria criança interior magoada e ressentida. É importantíssimo lembrar que o desconhecimento do que é ‘normal’ durante o crescimento e desenvolvimento induz a erro, sobrecarrega os ambulatórios e restringe a vida da criança. Exemplo: é comum que o RN espirre, soluce, golfe; as narinas são estreitas e parecem obstruídas. A urina pode apresentar-se rosada, pela presença de uratos. Nos ‘saltos de desenvolvimento’, ocorre choro mais intenso e alteração do sono: pelo 3o ou 4o mês; pelo 8o mês (ansiedade de separação). Ocorrência de birras entre 1 a 2 anos (período de afirmação da criança, maior percepção e participação do mundo externo) etc. Outro exemplo: presta-se enorme atenção a supostos ‘defeitos’ dos pés, sem considerar como são os pés dos parentes e do marido; o pé dos bebês tem um coxim de gordura plantar; a marcha exige determinadas posturas que não devem ser modificadas, pois são necessárias. Por falta de conhecimento, começam cedo diversas consultas ortopédicas para pés e pernas normais.


Uma causa frequente de febre sem outros sintomas é o exantema súbito ou roséola: 3 a 5 dias de febre alta, que desaparece ao surgir erupção avermelhada na pele do tronco e abdome. É uma virose comum na primeira infância, que leva ao uso indevido de antibiótico por desconhecimento do que se trata, ou por pressão da mãe.


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Os hospitais deveriam ser centros de excelência para acidentes e doenças que exigem equipamentos e pessoal especializados. Hospital não é local para pequenos problemas, que devem ser cuidados inicialmente em casa e – se necessário – nas Unidades Básicas de Saúde. Precisamos aprender com a natureza os meios para adquirir e conservar a saúde, pela alimentação, lazer, atividade física e convivência saudável. Infelizmente, doença é tema frequente de programas culinários da manhã, do jornal da noite e dos programas dominicais. O que eu quero dizer com isso? Que algumas mães, em vez de estabelecer um vínculo forte com o filho, procuram delegar a especialistas os cuidados que dependem mais de sua “maternagem” do que de exames. Que a criança precisa brincar mais ao ar livre para ter saúde. Que existe hoje uma chance enorme de tratamentos desnecessários por falta de interação com as reais necessidades internas e corporais da criança. Diagnósticos e exames com nomes elaborados são mais sedutores que medidas preventivas. Um simples vômito não é doença: a mãe poderia hidratar a criança em casa em vez de ficar em filas, piorando a desidratação. As pessoas precisam deixar de ir à farmácia como quem vai a uma boutique, para saber das novidades. Se você vai ao médico já esperando o pior, ele pode entrar na sua viagem. Então, quando for à consulta, não dramatize, não exagere nos sintomas, acredite na ponderação do médico, que começa o raciocínio clínico a partir das coisas mais simples. Somente se houver complicação é que se passa às hipóteses mais complicadas. Em medicina, o que é raro é raríssimo; o que é comum é comuníssimo.

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